Um
dia após tocar no Rock In Rio, o The Offspring desembarcou em São Paulo
para apresentar um show repleto de hits, que alçaram a banda como uma
das referências na cena punk rock californiana dos anos 90.
Em sua quinta passagem pelo Brasil (estiveram aqui em 1997, 1999, 2004 e
2008), a banda iniciou seu show no domingo, 15 de setembro, como tem
feito durante toda a atual turnê. Logo após subir ao palco, o vocalista e
guitarrista Dexter Holland já sai gritando a introdução de “All I
Want”, seguida por “Bad Habit” e “Come Out and Play”, levando o público
do Credicard Hall, em noite cheia, ao delírio.
Um início escolhido a dedo, pois além de apresentar algumas de suas
músicas mais rápidas e pesadas, o The Offspring se conecta com a fase
mais marcante de sua carreira, quando, junto com outras bandas da
Califórnia, como Green Day, NOFX, Rancid e Bad Religion, fez com que
estilos como punk rock, hardcore e ska-core chegassem ao grande público
norte-americano e depois mundial.
Embora tenham lançado um novo álbum em 2012, “Days Go By”, o repertório
foi baseado nos discos de maior sucesso e repercussão da banda: “Smash”,
que até hoje sustenta a marca de álbum independente mais vendido em
todo o mundo, e “Americana”, que os tornou ainda mais conhecidos,
especialmente fora dos Estados Unidos, com grande divulgação nas rádios e
na MTV.
E é justamente nessas músicas que o público mais agita e interage com a
banda. Desde as rápidas “Mota / Have You Ever” e até as mais pops, como
“Why Don't You Get a Job”, também cantada em coro pelo pela plateia. E
talvez seja essa uma das principais diferenças para os primeiros shows
da banda no Brasil. Se antes o público era formado em grande parte
jovens que gostavam da fase mais punk rock da banda - e que certamente
torceriam o nariz para músicas como “Original Prankster”, “Hit That” e a
melosa “Kristy, Are You Doing Okay?”, hoje o público não deixa de
embarcar nos hits da fase mais comercial da banda.
Embora beirando os 50 anos e com alguns quilinhos a mais, Dexter, ainda
alcança a maior parte de seus marcantes agudos, que, junto com seus
"yeahs", whoas", "heys", tornaram-se marcas registrada da banda.
Completam o time o carismático guitarrista Noodles, o baixista Greg K. -
ambos na banda desde os primórdios - o guitarrista de apoio, Todd
Morse, e o baterista Pete Parada.
Com a boa interação com o público e algumas rodas de bate-cabeça, o show
seguiu com mais hits, como “Staring at the Sun”, “Want You Bad”,” What
Happened To You” e “Americana”. Antes da pausa para o bis, duas das
canções mais famosas do “Americana”: “Pretty Fly (For a White Guy)”, que
durante muito tempo esteve entre músicas mais baixadas ilegalmente da
internet, e a emotiva e “The Kids Aren't Alright”.
Mesmo que de poucas palavras, Dexter e Noodles foram simpáticos,
agradeceram o carinho e a empolgação do público. No bis, a banda
retornou com ‘(Can't Get My) Head Around You” e a marcante “Self
Esteem”, seguramente uma das mais esperadas da noite, encerrando uma
apresentação relativamente curta, de 1 hora e 20 minutos. Talvez aí
tenha sido o único ponto negativo, já que outras diversas músicas de
destaque da carreira do grupo ficaram de fora.